Mulheres; não mais de Atenas!

10/03/2012 17:34

 

“Mulher! Mulher! Na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um 10. Sou forte, mas não chego aos seus pés.”

Erasmo Carlos

Queridos(as) leitores(as), poderá um único dia abarcar a grandeza e importância da mulher? Haverá alguma régua que possua a capacidade de medir-lhe a garra, a determinação, a fé inabalável no futuro, a coragem e a esperança?

Não, não existem esses instrumentos, assim como não existem palavras que descrevam a gratidão que os homens devem às mulheres. Para Roland Barthes (Le bruissement de La langue, 1984) as palavras são incompletas, não captam, portanto a totalidade do pensamento, como também nos diz Wittgenstein; como poderiam captar, explicar e quantificar o amor de uma mãe pelo seu filho, e como poderíamos definir o altruísmo e a dedicação de Madre Teresa de Calcutá? Ou de Irmã Dulce, a acolher mendigos, famintos, doentes e marginalizados, pessoas que ela cuidou a vida toda?

Que diremos da determinação de Maria, aos pés da cruz de seu filho? E da coragem das trabalhadoras em todos os países e épocas a exigir melhores condições de trabalho? Numa extraordinária composição, Mulheres de Atenas, Chico Buarque e Augusto Boal colocam à descoberto toda situação de opressão e submissão a que a mulher esteve submetidas ao longo da história. Observe: “Elas não tem gosto ou vontade, nem defeito nem qualidade. Tem medo apenas”. Ou ainda: “Quando eles embarcam soldados, elas tecem longos bordados. Mil quarentenas”.

A valorização da mulher não pode restringir-se a um só dia. Houve uma época em que era incentivada a lavagem da honra com sangue. Matar em ‘legítima defesa da honra era quase uma lei informal; mas essa imbecilidade, esse ato imoral e aviltante de alguns homens contra as mulheres infelizmente não é coisa do passado. O ato de tratar a mulher como posse perpassa eras e invade nossos dias nos quais proclamamos a plenitude da civilização. O que dizer da imagem das mulheres veiculada pela grande mídia? Coisificação absoluta da mulher cujo valor é aumentado na medida em que o número de peças que veste diminui.

Não esqueçamos Isabel Cristina, Eloá, Inês Gomes, Ana Paula, Valdenira, Fabilene, Cibele, Valdenora, Claudiane, Sandra Gomide, Camila Duarte, etc, etc, etc. O que elas tiveram em comum? Foram todas assassinadas depois de romperem o relacionamento com seus companheiros. Esse é o resultado de uma mídia que coisifica e transforma a mulher em objeto para ser utilizado somente em cama e mesa.

Quero lembrar também que a mulher, de forma muito especial, é colaboradora de Deus na geração da vida, e dignificada para todo o sempre, pois o nosso Deus se encarnou no ventre de uma mulher para nos dar a plena dignidade de filhos de Deus. Como nos diz as palavras do Profeta Isaías: “Eis que a virgem conceberá. Ela nos dará um filho; seu nome será grande, ‘Deus-conosco’, ‘Emanuel’. (Isaías 7: 14). Parabéns a todas as mulheres pelo Dia Internacional da Mulher em 2012, 2013, 2014, 2015...

Fiquem com Deus e tenham um ótimo final de semana.