Mulheres; não mais de Atenas!
“Mulher! Mulher! Na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um 10. Sou forte, mas não chego aos seus pés.”
Erasmo Carlos
Queridos(as) leitores(as), poderá um único dia abarcar a grandeza e importância da mulher? Haverá alguma régua que possua a capacidade de medir-lhe a garra, a determinação, a fé inabalável no futuro, a coragem e a esperança?
Não, não existem esses instrumentos, assim como não existem palavras que descrevam a gratidão que os homens devem às mulheres. Para Roland Barthes (Le bruissement de La langue, 1984) as palavras são incompletas, não captam, portanto a totalidade do pensamento, como também nos diz Wittgenstein; como poderiam captar, explicar e quantificar o amor de uma mãe pelo seu filho, e como poderíamos definir o altruísmo e a dedicação de Madre Teresa de Calcutá? Ou de Irmã Dulce, a acolher mendigos, famintos, doentes e marginalizados, pessoas que ela cuidou a vida toda?
Que diremos da determinação de Maria, aos pés da cruz de seu filho? E da coragem das trabalhadoras em todos os países e épocas a exigir melhores condições de trabalho? Numa extraordinária composição, Mulheres de Atenas, Chico Buarque e Augusto Boal colocam à descoberto toda situação de opressão e submissão a que a mulher esteve submetidas ao longo da história. Observe: “Elas não tem gosto ou vontade, nem defeito nem qualidade. Tem medo apenas”. Ou ainda: “Quando eles embarcam soldados, elas tecem longos bordados. Mil quarentenas”.
A valorização da mulher não pode restringir-se a um só dia. Houve uma época em que era incentivada a lavagem da honra com sangue. Matar em ‘legítima defesa da honra era quase uma lei informal; mas essa imbecilidade, esse ato imoral e aviltante de alguns homens contra as mulheres infelizmente não é coisa do passado. O ato de tratar a mulher como posse perpassa eras e invade nossos dias nos quais proclamamos a plenitude da civilização. O que dizer da imagem das mulheres veiculada pela grande mídia? Coisificação absoluta da mulher cujo valor é aumentado na medida em que o número de peças que veste diminui.
Não esqueçamos Isabel Cristina, Eloá, Inês Gomes, Ana Paula, Valdenira, Fabilene, Cibele, Valdenora, Claudiane, Sandra Gomide, Camila Duarte, etc, etc, etc. O que elas tiveram em comum? Foram todas assassinadas depois de romperem o relacionamento com seus companheiros. Esse é o resultado de uma mídia que coisifica e transforma a mulher em objeto para ser utilizado somente em cama e mesa.
Quero lembrar também que a mulher, de forma muito especial, é colaboradora de Deus na geração da vida, e dignificada para todo o sempre, pois o nosso Deus se encarnou no ventre de uma mulher para nos dar a plena dignidade de filhos de Deus. Como nos diz as palavras do Profeta Isaías: “Eis que a virgem conceberá. Ela nos dará um filho; seu nome será grande, ‘Deus-conosco’, ‘Emanuel’. (Isaías 7: 14). Parabéns a todas as mulheres pelo Dia Internacional da Mulher em 2012, 2013, 2014, 2015...
Fiquem com Deus e tenham um ótimo final de semana.